Antes de começar a escrever sobre esta longa viagem, gostaria de pedir a todos que estão lendo este parágrafo ou que em algum momento acompanharam o blog, para deixarem seus comentários clicando aqui ou no final deste post. Minha intenção é saber a sua opinião sobre o blog, o que faltou ou o que você mais gostou. Críticas e sugestões para um próximo site são muito bem vindas. Não deixe de colocar de que parte do país você está escrevendo. Ok?
Vamos ao que interessa. Foram 135 dias de viagem, 24 a mais que o planejado, e nove países visitados. Apesar de tanto tempo na estrada, não acredito que foi o suficiente para conhecer tantos lugares e aproveitar bem cada um deles. Na minha opinião, um caminho tão longo deve ser percorrido em pelo menos sete meses.
Em quase 8 mil kilômetros, estive 14 dias na Costa Rica, 4 no Panamá (sem contar um ano que vivi neste país), 31 na Colômbia, 17 na Venezuela, 5 no Equador, 13 no Peru, 27 na Bolívia, 17 na Argentina, 2 no Uruguai e fechei com chave de ouro com 5 dias no Brasil.
No total, foram 42 cidades, média de pouco mais de três dias em cada uma delas. O meio de transporte mais utilizado foi o ônibus, 53 vezes. E mais: oito carros compartidos, seis caronas, três barcos, dois trens, dois aviões, além dos sete dias de carro alugado na Costa Rica. Horas e horas refletindo, lendo, escrevendo e dormindo.

Sete livros em espanhol lidos cujo tema principal foi o nosso grande continente: “Cuentos Chinos”, “Veias abertas da América Latina”, “Biografia de Simón Bolívar”, “General em seu labirinto”, ”Civilizações Andinas e a Cultura Inca”, “A vida de San Martin”, “Diários de Motocicleta”. Todos altamente recomendados para aqueles que tenham interesse em conhecer um pouco mais sobre a nossa história, política, economia e nossos heróis.
Apesar das fotos de quase todo percurso, durante apenas 40 dias carreguei comigo uma câmera fotográfica. Infelizmente esta foi roubada enquanto dormia em um barco na Venezuela. Durante os outros 95 dias, contei com a boa vontade de pessoas que conheci para registrar os momentos da viagem. Muitas imagens foram perdidas e só ficaram na minha memória. As que eu consegui publicar, você confere no meu albúm do Picasa clicando aqui
Como todo mochileiro, os albergues e hotéis baratos foram meus lares principais. Como poucos deles, utilizei a rede social Couch Curfing para me hospedar na casa de 15 (novos) amigos diferentes. Uma idéia incrível, que me mostrou novas possibilidades e me fez conhecer pessoas que me ensinaram muito e me mostraram um pouco mais de suas culturas. Sem estas experiências, a viagem não teria sido tão impressionante e cheia de fatos curiosos.
O número de amizades que fiz, não saberia dizer. Talvez 100, 200 ou 300. De muitos países diferentes. Muitas delas ainda mantenho contato pelas redes sociais por se tratarem de pessoas muito parecidas comigo e que, mesmo de forma involuntária, me passaram algum ensinamento. Viajar sozinho é estar sempre acompanhado de amigos temporários. A única solução para evitar a solidão é conhecer pessoas. A melhor parte de uma viagem como esta.
Assim cheguei ao Brasil, muitos amigos me perguntaram sobre os custos. Geralmente, o planejamento é baseado na estimativa de gasto diário, que para a América Latina é de USD 30,00. No meu caso, acabei gastando algo em torno de USD 33,00 por dia. Minha recomendação é de levar, se possível, USD 40,00/dia. Ou seja, USD 5.400,00 dólares para 135 dias. Pouco mais de R$ 10 mil.
Preço baixo se consideramos a enorme experiência de vida e os lindos lugares que visitei, que já foram citados no ranking de belezas da América Latina. Os “nota 10” têm poucas semelhanças entre si e receberam a maior nota por serem lugares tão singulares.

San Blas é o paraíso na terra. Pequenas ilhas cobertas de areia branca e palmeiras, rodeadas pelo mar do Caribe. O que destaca no Cabo de la Vela é o contraste entre o deserto e o mar azul. Machu Picchu é pura história, cidade dos Incas que preserva 95% das construções originais. Já a Ilha do Sol merece a nota 10 por estar localizada no lago mais alto do mundo (3.800m). E o Salar do Uyuni por ser um lugar único, um imenso deserto branco no sul da Bolívia.
O fato de a Argentina e Uruguai não terem representantes no ranking das belezas se deve ao fato de eu não ter visitado os principais pontos turísticos de ambos países. Me senti na obrigação de comentar isso para não cometer nenhuma injustiça.
Outro ranking que mantive atualizado durante esses quatro meses, foi o de albergues. Apesar de ter passado boa parte do tempo na casa de membros do Couch Surfing, posso indicar algumas hospedagens por onde passei. Veja o ranking abaixo.

Os dois campeões “Rockin J’Z” e “Aqua Lounge” têm muito em comum. Ambos estão localizados na beira do mar e são lugares de muita festa. Mas se você é daqueles que prefere sossego e a hospitalidade, não deixe de conhecer os notas “9”. Estes três têm uma fórmula mágica e te fazem sentir em casa, sem aquele clima institucional de albergue. Já os “gêmeos” Wild Hover e Loki Hostel de La Paz, seriam preferidos por muito mochileiros, mas não estiveram no topo da minha lista por serem muito “gringolândia”.
Além dos rankings, outra seção do blog que chamou a atenção de muitos leitores foi a enquete “O que os estrangeiros acham do Brasil”. A pesquisa foi descontinuada depois que conheci uma venezuelana que havia feito a mesma pergunta em seu programa de rádio na universidade. As respostas que ela obteve coincidiam com as minhas, o que me levou a conclusão que o resultado pouco mudaria. Para a maioria dos entrevistados, o Brasil lembra Carnaval, Futebol, Praia, Mulheres, Festa e Samba. Outras palavras que também foram bastante citadas: Caipirinha, Rio de Janeiro, Amazônia, Carisma, Idioma e Alegria.

O blog recebeu quase 25.000 visitantes, ao longo desses meses, e as páginas foram visualizadas 40.000 vezes. O dia com maior número de visitas (2.100) foi justamente quando o globo.com publicou uma reportagem sobre a viagem na capa do portal.

43 posts em seis meses, quase 200 páginas só de texto, mais de 50 vídeos, aproximadamente 300 imagens publicadas nos posts, 260 comentários de leitores e sete aparições na imprensa. Tudo fruto de muita vontade e paciência. Não faltaram lugares onde liguei meu computador para escrever: ônibus, avião, barco, trem, estação de trem, porto, aeroporto, rodoviária, restaurante, bar, barraca, albergue, na casa de couch surfers e até no meio da mata. De manhã, de tarde, de noite e de madrugada. Para quem está viajando, não existe horário comercial.
Depois de tudo que vi, ouvi, li e escrevi, deixo aqui minhas impressões a respeito de cada país e algumas dicas para aqueles que um dia pensam em fazer a mesma viagem. Qualquer dúvida, não deixem de me contatar no e-mail 111diaspelaal@gmail.com :
Panamá
Ali vivi um ano. País com desenvolvimento acelerado e com belezas naturais incríveis graças ao Mar do Caribe. San Blas te oferece tranquilidade em um dos lugares mais bonitos da Terra e Bocas del Toro as melhores baladas na beira do mar. País barato onde USD 25,00 diários são suficientes. Para ler todos os posts deste país, clique aqui
Costa Rica
País pequeno, ecologicamente correto e população muito educada. Caro para o mochileiro, mas com muitos pontos turísticos diferentes: pacífico, atlântico, vulcões e selva. Montezuma, Vulcão Arenal, Manuel Antônio e Porto Viejo são lugares de visita obrigatória. Orçamento diário: USD 40,00. Para ler todos os posts deste país, clique aqui.
Colômbia
O grande destaque. Esqueça tudo que você já ouviu falar sobre a Colômbia. O país mudou muito nesta década e as FARCs, os sequestros e a violência já não são tão comuns. Belezas naturais incríveis e população muito receptiva. A Colômbia te oferece cidades históricas (ex. Cartagena), caribe, pacífico, montanhas, amazônia e regiões cafeteiras. Tudo em um mesmo país. Lembre-se: O risco é que você queira ficar! Não leve menos de USD 35,00 diários porque o transporte lá é caro. Para ler todos os posts deste país, clique aqui
Venezuela
País lindo, mas difícil de viajar. A não ser que você queira sentir de perto o clima político e o governo de Chavéz, prefira a Colômbia. Se você se interessa por estes temas, a visita é obrigatória (meu caso). Principais atrações turísticas estão no imenso litoral caribenho, que é muito conservado e bonito. Não é lugar de muitos mochileiros, portanto, fique esperto, sua grande mochila vai chamar a atenção. Orçamento diário: USD 35,00 (se você comprar a moeda no mercado paralelo). Para ler todos os posts deste país, clique aqui
Equador
Pequeno, barato e cheio de atrações. São duas rotas turísticas principais: a Cordilheira dos Andes e o Pacífico. Esqueça a Ilha Galápagos se você está viajando com orçamento limitado. Cinco dias na ilha não saem por menos de USD 1.000,00. Viajar pelo país de carro durante 15 dias parece o ideal. USD 20,00 diários costuma ser suficiente se você é um mochileiro e não turista de luxo. Para ler todos os posts deste país, clique aqui
Peru
É o país da história e da arqueologia. Se você se interessa por estes temas, vai se apaixonar. São muitas as civilizações que habitaram o país na época pré-colombiana e muitas ruínas ainda estão em ótimo estado de conservação. A região de Cuzco é a que mais atrai turistas por ser próxima a maior maravilha da América Latina, que também é uma das mais caras: Machu Picchu. Sem esta, USD 30,00 seriam suficientes. Visitando-a, USD 40,00 diários te deixam no limite. Para ler todos os posts deste país, clique aqui
Bolívia
Se você quer aproveitar muito, tomar um choque cultural e gastar pouco, a Bolívia é o país recomendado. Belezas naturais incríveis, população pobre e tradicional e clima político instável. Tudo muito, muito barato. USD 20,00 diários são suficientes. Recomendação importante: Titicaca, La Paz, Sucre, Potosí e Uyuni não podem estar fora do seu roteiro. Um mês pode não ser suficiente. Para ler todos os posts deste país, clique aqui
Argentina
Fama de barato para quem passa quatro dias “torrando” seus reais na bela Buenos Aires. Cara para quem está de mochileiro. USD 30,00 diários só dá se você for muito controlado. USD 40,00 às vezes não são suficientes, pelo alto custo do transporte rodoviário. Muitas belezas naturais estão ao sul onde o acesso é mais difícil. Na região central estão localizadas belas cidades, como Córdoba e Rosário, onde a população é bem mais receptiva que a de Buenos Aires. Para ler todos os posts deste país, clique aqui
Uruguai
Pouco conheci, mas o que vi foi um povo muito acolhedor e educado. Não é atoa que recebe o apelido de Suíça da América. A principal atração são as praias do leste, mas só durante o verão. Mais caro que a Argentina, prepare seu bolso: USD 40,00 diários. Para ler todos os posts deste país, clique aqui
Brasil
O melhor de todos.
O que conheci nesses 135 dias foram países que merecem a sua visita. Não é necessário viajar para tão longe para se impressionar com tantas belezas naturais, ruínas arqueológicas em perfeito estado e um povo que adora o Brasil e os brasileiros. Está tudo aqui do nosso lado.
Aprendi que o mais importante em uma vigem a outro país não é o que você vai ver e sim os momentos que você vive. Conheça as pessoas do lugar, entre na cultura e não se limite a visitar lugares para tirar fotos. Isto é o de menos. O que interessa é o que você leva pra sua casa em forma de experiência e não em forma de imagem, que será esquecida no futuro dentro de um dvd.
Meu recado: Conheça a América Latina, vale a pena!
Fecho o post e o blog com uma frase de um latino americano muito importante na nossa história, escrita logo após completar sua primeira viagem pela América Latina:
“ese vagar sin rumbo por nuestra mayúscula América, me ha cambiado más de lo que creí”
ou:
“Esse vagar sem rumo pela nossa grande América, me mudou mais do que imaginava”
Ernesto “Che” Guevara, Argentina, 1952
Obrigado por terem chegado até aqui!
Por favor, deixe o seu comentário clicando aqui!Um abraço,
Eduardo
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