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| Sobre os 135 dias pela América Latina | Oct 06

Antes de começar a escrever sobre esta longa viagem, gostaria de pedir a todos que estão lendo este parágrafo ou que em algum momento acompanharam o blog, para deixarem seus comentários clicando aqui ou no final deste post. Minha intenção é saber a sua opinião sobre o blog, o que faltou ou o que você mais gostou. Críticas e sugestões para um próximo site são muito bem vindas. Não deixe de colocar de que parte do país você está escrevendo. Ok?

Vamos ao que interessa. Foram 135 dias de viagem, 24 a mais que o planejado, e nove países visitados. Apesar de tanto tempo na estrada, não acredito que foi o suficiente para conhecer tantos lugares e aproveitar bem cada um deles. Na minha opinião, um caminho tão longo deve ser percorrido em pelo menos sete meses.

Em quase 8 mil kilômetros, estive 14 dias na Costa Rica, 4 no Panamá (sem contar um ano que vivi neste país), 31 na Colômbia, 17 na Venezuela, 5 no Equador, 13 no Peru, 27 na Bolívia, 17 na Argentina, 2 no Uruguai e fechei com chave de ouro com 5 dias no Brasil.

No total, foram 42 cidades, média de pouco mais de três dias em cada uma delas. O meio de transporte mais utilizado foi o ônibus, 53 vezes. E mais: oito carros compartidos, seis caronas, três barcos, dois trens, dois aviões, além dos sete dias de carro alugado na Costa Rica. Horas e horas refletindo, lendo, escrevendo e dormindo.


Sete livros em espanhol lidos cujo tema principal foi o nosso grande continente: “Cuentos Chinos”, “Veias abertas da América Latina”, “Biografia de Simón Bolívar”, “General em seu labirinto”, ”Civilizações Andinas e a Cultura Inca”, “A vida de San Martin”, “Diários de Motocicleta”. Todos altamente recomendados para aqueles que tenham interesse em conhecer um pouco mais sobre a nossa história, política, economia e nossos heróis.

Apesar das fotos de quase todo percurso, durante apenas 40 dias carreguei comigo uma câmera fotográfica. Infelizmente esta foi roubada enquanto dormia em um barco na Venezuela. Durante os outros 95 dias, contei com a boa vontade de pessoas que conheci para registrar os momentos da viagem. Muitas imagens foram perdidas e só ficaram na minha memória. As que eu consegui publicar, você confere no meu albúm do Picasa clicando aqui

Como todo mochileiro, os albergues e hotéis baratos foram meus lares principais. Como poucos deles, utilizei a rede social Couch Curfing para me hospedar na casa de 15 (novos) amigos diferentes. Uma idéia incrível, que me mostrou novas possibilidades e me fez conhecer pessoas que me ensinaram muito e me mostraram um pouco mais de suas culturas. Sem estas experiências, a viagem não teria sido tão impressionante e cheia de fatos curiosos.

O número de amizades que fiz, não saberia dizer. Talvez 100, 200 ou 300. De muitos países diferentes. Muitas delas ainda mantenho contato pelas redes sociais por se tratarem de pessoas muito parecidas comigo e que, mesmo de forma involuntária, me passaram algum ensinamento. Viajar sozinho é estar sempre acompanhado de amigos temporários. A única solução para evitar a solidão é conhecer pessoas. A melhor parte de uma viagem como esta.

Assim cheguei ao Brasil, muitos amigos me perguntaram sobre os custos. Geralmente, o planejamento é baseado na estimativa de gasto diário, que para a América Latina é de USD 30,00. No meu caso, acabei gastando algo em torno de USD 33,00 por dia. Minha recomendação é de levar, se possível, USD 40,00/dia. Ou seja, USD 5.400,00 dólares para 135 dias. Pouco mais de R$ 10 mil.

Preço baixo se consideramos a enorme experiência de vida e os lindos lugares que visitei, que já foram citados no ranking de belezas da América Latina. Os “nota 10” têm poucas semelhanças entre si e receberam a maior nota por serem lugares tão singulares.

San Blas é o paraíso na terra. Pequenas ilhas cobertas de areia branca e palmeiras, rodeadas pelo mar do Caribe. O que destaca no Cabo de la Vela é o contraste entre o deserto e o mar azul. Machu Picchu é pura história, cidade dos Incas que preserva 95% das construções originais. Já a Ilha do Sol merece a nota 10 por estar localizada no lago mais alto do mundo (3.800m). E o Salar do Uyuni por ser um lugar único, um imenso deserto branco no sul da Bolívia.

O fato de a Argentina e Uruguai não terem representantes no ranking das belezas se deve ao fato de eu não ter visitado os principais pontos turísticos de ambos países. Me senti na obrigação de comentar isso para não cometer nenhuma injustiça.

Outro ranking que mantive atualizado durante esses quatro meses, foi o de albergues. Apesar de ter passado boa parte do tempo na casa de membros do Couch Surfing, posso indicar algumas hospedagens por onde passei. Veja o ranking abaixo.

Os dois campeões “Rockin J’Z” e “Aqua Lounge” têm muito em comum. Ambos estão localizados na beira do mar e são lugares de muita festa. Mas se você é daqueles que prefere sossego e a hospitalidade, não deixe de conhecer os notas “9”. Estes três têm uma fórmula mágica e te fazem sentir em casa, sem aquele clima institucional de albergue. Já os “gêmeos” Wild Hover e Loki Hostel de La Paz, seriam preferidos por muito mochileiros, mas não estiveram no topo da minha lista por serem muito “gringolândia”.

Além dos rankings, outra seção do blog que chamou a atenção de muitos leitores foi a enquete “O que os estrangeiros acham do Brasil”. A pesquisa foi descontinuada depois que conheci uma venezuelana que havia feito a mesma pergunta em seu programa de rádio na universidade. As respostas que ela obteve coincidiam com as minhas, o que me levou a conclusão que o resultado pouco mudaria. Para a maioria dos entrevistados, o Brasil lembra Carnaval, Futebol, Praia, Mulheres, Festa e Samba. Outras palavras que também foram bastante citadas: Caipirinha, Rio de Janeiro, Amazônia, Carisma, Idioma e Alegria.

O blog recebeu quase 25.000 visitantes, ao longo desses meses, e as páginas foram visualizadas 40.000 vezes. O dia com maior número de visitas (2.100) foi justamente quando o globo.com publicou uma reportagem sobre a viagem na capa do portal.


43 posts em seis meses, quase 200 páginas só de texto, mais de 50 vídeos, aproximadamente 300 imagens publicadas nos posts, 260 comentários de leitores e sete aparições na imprensa. Tudo fruto de muita vontade e paciência. Não faltaram lugares onde liguei meu computador para escrever: ônibus, avião, barco, trem, estação de trem, porto, aeroporto, rodoviária, restaurante, bar, barraca, albergue, na casa de couch surfers e até no meio da mata. De manhã, de tarde, de noite e de madrugada. Para quem está viajando, não existe horário comercial.

Depois de tudo que vi, ouvi, li e escrevi, deixo aqui minhas impressões a respeito de cada país e algumas dicas para aqueles que um dia pensam em fazer a mesma viagem. Qualquer dúvida, não deixem de me contatar no e-mail 111diaspelaal@gmail.com :

Panamá
Ali vivi um ano. País com desenvolvimento acelerado e com belezas naturais incríveis graças ao Mar do Caribe. San Blas te oferece tranquilidade em um dos lugares mais bonitos da Terra e Bocas del Toro as melhores baladas na beira do mar. País barato onde USD 25,00 diários são suficientes. Para ler todos os posts deste país, clique aqui

Costa Rica
País pequeno, ecologicamente correto e população muito educada. Caro para o mochileiro, mas com muitos pontos turísticos diferentes: pacífico, atlântico, vulcões e selva. Montezuma, Vulcão Arenal, Manuel Antônio e Porto Viejo são lugares de visita obrigatória. Orçamento diário: USD 40,00. Para ler todos os posts deste país, clique aqui.

Colômbia
O grande destaque. Esqueça tudo que você já ouviu falar sobre a Colômbia. O país mudou muito nesta década e as FARCs, os sequestros e a violência já não são tão comuns. Belezas naturais incríveis e população muito receptiva. A Colômbia te oferece cidades históricas (ex. Cartagena), caribe, pacífico, montanhas, amazônia e regiões cafeteiras. Tudo em um mesmo país. Lembre-se: O risco é que você queira ficar! Não leve menos de USD 35,00 diários porque o transporte lá é caro. Para ler todos os posts deste país, clique aqui

Venezuela
País lindo, mas difícil de viajar. A não ser que você queira sentir de perto o clima político e o governo de Chavéz, prefira a Colômbia. Se você se interessa por estes temas, a visita é obrigatória (meu caso). Principais atrações turísticas estão no imenso litoral caribenho, que é muito conservado e bonito. Não é lugar de muitos mochileiros, portanto, fique esperto, sua grande mochila vai chamar a atenção. Orçamento diário: USD 35,00 (se você comprar a moeda no mercado paralelo). Para ler todos os posts deste país, clique aqui

Equador
Pequeno, barato e cheio de atrações. São duas rotas turísticas principais: a Cordilheira dos Andes e o Pacífico. Esqueça a Ilha Galápagos se você está viajando com orçamento limitado. Cinco dias na ilha não saem por menos de USD 1.000,00. Viajar pelo país de carro durante 15 dias parece o ideal. USD 20,00 diários costuma ser suficiente se você é um mochileiro e não turista de luxo. Para ler todos os posts deste país, clique aqui

Peru
É o país da história e da arqueologia. Se você se interessa por estes temas, vai se apaixonar. São muitas as civilizações que habitaram o país na época pré-colombiana e muitas ruínas ainda estão em ótimo estado de conservação. A região de Cuzco é a que mais atrai turistas por ser próxima a maior maravilha da América Latina, que também é uma das mais caras: Machu Picchu. Sem esta, USD 30,00 seriam suficientes. Visitando-a, USD 40,00 diários te deixam no limite. Para ler todos os posts deste país, clique aqui

Bolívia
Se você quer aproveitar muito, tomar um choque cultural e gastar pouco, a Bolívia é o país recomendado. Belezas naturais incríveis, população pobre e tradicional e clima político instável. Tudo muito, muito barato. USD 20,00 diários são suficientes. Recomendação importante: Titicaca, La Paz, Sucre, Potosí e Uyuni não podem estar fora do seu roteiro. Um mês pode não ser suficiente. Para ler todos os posts deste país, clique aqui

Argentina
Fama de barato para quem passa quatro dias “torrando” seus reais na bela Buenos Aires. Cara para quem está de mochileiro. USD 30,00 diários só dá se você for muito controlado. USD 40,00 às vezes não são suficientes, pelo alto custo do transporte rodoviário. Muitas belezas naturais estão ao sul onde o acesso é mais difícil. Na região central estão localizadas belas cidades, como Córdoba e Rosário, onde a população é bem mais receptiva que a de Buenos Aires. Para ler todos os posts deste país, clique aqui

Uruguai
Pouco conheci, mas o que vi foi um povo muito acolhedor e educado. Não é atoa que recebe o apelido de Suíça da América. A principal atração são as praias do leste, mas só durante o verão. Mais caro que a Argentina, prepare seu bolso: USD 40,00 diários. Para ler todos os posts deste país, clique aqui

Brasil
O melhor de todos.

O que conheci nesses 135 dias foram países que merecem a sua visita. Não é necessário viajar para tão longe para se impressionar com tantas belezas naturais, ruínas arqueológicas em perfeito estado e um povo que adora o Brasil e os brasileiros. Está tudo aqui do nosso lado.

Aprendi que o mais importante em uma vigem a outro país não é o que você vai ver e sim os momentos que você vive. Conheça as pessoas do lugar, entre na cultura e não se limite a visitar lugares para tirar fotos. Isto é o de menos. O que interessa é o que você leva pra sua casa em forma de experiência e não em forma de imagem, que será esquecida no futuro dentro de um dvd.

Meu recado: Conheça a América Latina, vale a pena!

Fecho o post e o blog com uma frase de um latino americano muito importante na nossa história, escrita logo após completar sua primeira viagem pela América Latina:

“ese vagar sin rumbo por nuestra mayúscula América, me ha cambiado más de lo que creí”
ou:
“Esse vagar sem rumo pela nossa grande América, me mudou mais do que imaginava”
Ernesto “Che” Guevara, Argentina, 1952

Obrigado por terem chegado até aqui!

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Um abraço,
Eduardo

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| Voltando pra casa… | Sep 29

Os sete dias de Buenos Aires me deixaram ainda mais sem dinheiro para chegar em casa. Mas o meu grande inimigo naquele momento era outro, o tempo. Na segunda-feira, dia 20 de Setembro, faltavam exatamente seis dias para chegar em Três Corações, minha cidade natal, no dia do meu aniversário para fazer uma surpresa para minha mãe. Parece fácil, não se você é obrigado a atravessar o Uruguai de carona para estar em Porto Alegre na quinta-feira, dia 23.

A maneira mais barata de chegar ao Uruguai partindo de Buenos Aires é em barco, pela empresa BuqueBus. Uma viagem de apenas 50 km pelo Rio da Plata mas que dura 3 horas e custa 135 pesos argentinos (35 dólares). Muito caro para quem está no limite.

Para piorar a situação, o barco não te deixa em Montevideo e sim em Colônia a 177 km da capital, no extremo sul do Uruguai. Sem outra opção, me posicionei estratégicamente com o dedo apontado em direção à Montevideo esperando que uma boa alma pudesse me dar carona. Nesta altura da viagem, minha mochila já deveria pesava uns 20kgs por causa da quantidade de bons vinhos que comprei na Argentina.

Meia hora e 48 carros depois, uma camionete parou e me chamou para entrar. O motorista Ernesto, um uruguaio de aproximadamente 40 anos, me explicou ao longo do caminho sobre a enorme rivalidade que existe entre o Uruguai e a Argentina, em qualquer área: futebol, comida, carne, beleza das mulheres, bebidas. A rivalidade é tanta que os uruguaios reclamam que não são bem tratados na Argentina.

O assunto de duas horas de viagem foi variando e chegou na política. Atualmente, o governo de centro-esquerda é apoiado pela maioria da população graças às más administrações do Partido Colorado e Partido Nacional que governaram o país por décadas antes de serem derrotados pela Frente Ampla em 2005. José Mujica, o atual presidente eleito este ano, é considerado um símbolo da guerrilha que combateu a ditadura militar no país nos anos 70 e 80.

A principal atividade econômica uruguaia pude ver pela janela do carro ao longo do caminho. O Uruguai é um país basicamente agroexportador, com importantes centros de cultivo e de ganaderia. Segundo Ernesto, outro setor de grande destaque é o turismo, já que o país recebe milhares de turistas argentinos e brasileiros durante o verão.

Os primeiros 30 minutos de Montevideo já me fizeram arrepender de não ter ficado mais tempo no país. Desde o momento que Ernesto me deixou na rodoviária até encontrar Renata, uma amiga do Couch Surfing que ia me hospedar por uma noite, fui muito bem tratado. O uruguaio tem fama de ser muito hospitaleiro e acolhedor, fato que eu não sabia e acabou me surpreendendo de forma muito positiva.

De Montevideo pouco conheci. Cheguei na cidade por volta das 5:00 PM e só tive tempo de encontrar com uma amiga que tinha conhecido na Costa Rica e passar o tempo com os amigos de Renata, minha anfitriã, que me desejavam muita sorte no dia seguinte.

Além da sorte, a paciência é outro segredo para percorrer 340 km e atravessar o Uruguai pedindo carona. Acordei as 7 am, coloquei minha camiseta verde e amarela, peguei um circular que me deixou no pedágio na saída da cidade e apontei meu dedo em direção ao Brasil.

Quase uma hora depois, consegui pegar a primeira carona rumo a Chuy, na fronteira com o Brasil. O motorista Carlos é empregado de uma grande empresa frigorífica uruguaia e ao longo do caminho foi me explicando a dependência que o país tem de seus países vizinhos, Brasil e Argentina.

O pequeno mercado consumidor de apenas 3 milhões de habitantes dificulta a atração de investimento estrangeiro e a população economicamente ativa de apenas 800 mil pessoas é um gargalo para a produção. Por causa disto, sobra oportunidades para estrangeiros que querem trabalhar no Uruguai.

Carlos me deixou no vilarejo de Pan de Azucar, há apenas 90 km de Montevideo e ainda longe do meu objetivo. Meia hora depois, uma camionete parou e disse que poderia me deixar em San Carlos, há apenas 50 km de onde estava. Ótimo, o importante é seguir em frente.

Quem dirigia era Ernesto, um ex-rastafari, que durante quarenta minutos me contou sua volta ao mundo em 10 meses com uma mochila nas costas. Um sujeito engraçadíssimo que terminou sua viagem em Nova York, com 20 kg a menos porque já não comia há seis dias! Ao me deixar em San Carlos, deixou seu e-mail e disse: “Me envia um e-mail se tiver chegado em Porto Alegre na quinta-feira! Por ai encontramos. Uma vez viajante, sempre viajante!”.

Faltava pegar carona em um caminhão para ter mais história para contar. Ele apareceu depois de uma hora de espera na estrada que liga San Carlos e Rocha, cidades que são distantes de 90 km. O motorista Hugo, torcedor do Peñarol fanático, era uma pessoa muito simples e que vivia dirigindo caminhão de uma cidade a outra carregando tijolos para a empresa que trabalhava.

O percurso que poderia ter sido feito em uma hora e meia, considerando a média de 60 km/h que o caminhão podia alcançar, foi percorrido em três horas e meia. Primeiro porque Hugo parou para carregar o caminhão em uma pequena fábrica de tijolos na beira da estrada. De volta a rodovia, o motor começou a fazer um barulho estranho e a uma fumaça turva e densa tomou conta da cabine. Depois de mais meia hora esperando o motor esfriar, seguimos viagem e chegamos a Rocha, às 6:00 pm.

A noite estava chegando e só um milagre impediria que eu acampasse às margens da rodovia. O milagre era uma outra camionete dirigida por um austríaco que ia direto para Chuy, na fronteira, a 130 km de onde eu estava. Depois de 16 meses (12 de trabalho e 4 de viagem), pisava novamente em terras brasileiras, na cidade mais ao sul do país! Uma sensação indescritível.

Em Chuy, do lado do Brasil, começaram os problemas para chegar à Porto Alegre na quinta-feira (já era terça-feira a noite). Com medo de não conseguir cumprir meu objetivo de carona, resolvi gastar o pouco de dinheiro que me faltava para pegar um ônibus para Porto Alegre. Porém, o que eu tinha na carteira era insuficiente para pagar a passagem. A única solução era tirar um pouco de dinheiro no dia seguinte na agência do meu banco já que tinha perdido meu cartão na Argentina.

As opções eram:
1 – Pedir dinheiro emprestado para alguém na rua.
2 – Passar a noite na cidade, acordar no dia seguinte e ir no banco para tirar dinheiro.
3 – Atravessar a fronteira e apostar o que eu tinha no cassino para tentar conseguir o que faltava.

Graças a minha sorte (ou falta dela), o cassino de Chuy não estava aberto naquela terça-feira e eu acabei mudando para a opção 2. No entanto, todos os hotéis da cidade que o meu dinheiro conseguia pagar estavam cheios. Minha única opção era montar minha barraca no gramado de alguma casa. Graças a boa vontade de uma senhora que conheci assim que bati a sua porta, consegui montar minha barraca no seu jardim.

Dia seguinte, quarta-feira, 22 de Setembro acordei às 6:00 am por causa do frio. Levantei acampamento e fui para a estrada fazer minha última tentativa de chegar a Porto Alegre sem gastar dinheiro. Durante uma hora nenhum carro passou, para nenhum dos dois sentidos! Voltei para a rodoviária e comprei passagem para a única cidade ao norte que meu dinheiro pudesse pagar, Rio Grande.

Cheguei ali quatro horas depois que saí de Chuy e fui direto na agência do meu banco tirar o dinheiro necessário para pagar a passagem até Porto Alegre, que estava a 250 km de distância, aproximadamente. O alívio de entrar no ônibus só não foi maior do que senti ao chegar na capital gaúcha. Meu primeiro “banquete” na rodoviária foi um pastel, uma coxinha e um pão de queijo. Que saudade!

Durante o pouco tempo que estive em Porto Alegre, aproveitei para reunir com amigos que conheci quando vivia no Panamá para assistir o Gremio x Flamengo. Só eu de flamenguista e muitos gremistas. Menos mal que o jogo terminou empatado.

Meu vôo saiu na manhã seguinte (23/09) para Campinas, onde me formei e ainda tenho muitos conhecidos. Minha última parada antes de chegar no interior de Minas Gerais. Ali reencontrei velhos amigos que não via há muito tempo e fiz novas amizades. Foram três dias de reencontros e lembrando o que é tomar Skol, Brahma, Original e Bohemia. Também foi a primeira oportunidade de comer arroz e feijão, comida que tanto faz falta aos brasileiros que estão no exterior.

Os dias em Campinas passaram rápido, graças a mistura de cerveja brasileira e ansiedade. A festa de boas vindas, aniversário e despedida da cidade foi uma cervejada com ótimos amigos na república que vivi por cinco anos e só teve fim quando o último resolveu dormir.

Dia seguinte, 26 de Setembro, às 10:00 am, parti para Três Corações com um amigo. Três horas estava na minha cidade natal, 135 dias depois de sair da Cidade do Panamá, localizada a milhares de kilômetros de distância. Depois de muitas aventuras e desventuras, finalmente cheguei em casa onde minha família estava me esperando.

O dia também foi de reencontro com amigos de infâncias curiosos para saber sobre o que havia acontecido comigo nos últimos quatro meses. As horas foram passando e a viagem chegando ao fim. Na hora de dormir, aquele sentimento de missão cumprida e uma só palavra para descrever tudo que passei: “incrível”. A se eu tivesse contato tudo que aconteceu.

No próximo post, você vai ler um resumo de tudo que aconteceu. Estatísticas, custos, dicas para quem quer fazer esta viagem, minhas impressões, pontos negativos e positivos de cada lugar e destinos preferidos. Não perca!

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Um abraço,
Eduardo


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| Sete dias de Buenos Aires | Sep 23

Meu último dia em Rosário que deveria ser a Segunda-Feira, 13 de Setembro, acabou sendo a manhã do dia seguinte porque precisava de uma carona para chegar em Buenos Aires. Minha prioridade desde quando pisei em solo argentino era cortar gastos com transporte e investir em diversão. Afinal, eram os últimos dias de uma viagem planejada há dois anos. Tinha que celebrar!

A rodovia que liga a segunda e a maior cidade Argentina é de mão dupla e está em excelente estado. Algo que não é normal no país. Três horas de carro se não fosse um bloqueio na estrada provocado por um grupo de manifestantes rurais.

A primeira vista, Buenos Aires parece uma cidade enorme qualquer. Cheia de problemas, com trânsito e muito populosa. Com 13 milhões de habitantes (dados de 2001), a quarta maior cidade do mundo representa 65% do PIB argentino graças a concentração de muitas das atividades econômicas mais importantes do país. É aí que estão as principais empresas de tecnologia e software, de construção e financeiras.

Fundada em 1536 quando os territórios do Rio da Plata eram colônias espanholas, Buenos Aires foi ganhando importância. Os séculos de crescimento e centralização do poder econômico e político na Argentina a transformaram em um lugar charmoso, com belas construções muito semelhantes às europeias. Hoje, sem dúvida, a cidade latino-americana mais preparada para receber visitantes estrangeiros dentre as que conheci.

Atualmente, os restaurantes requintados, os excelentes vinhos e os inúmeros pontos turísticos de Buenos Aires atraem 1 milhão são brasileiros anualmente (projeção para 2010). A desvalorização do Peso Argentino somado ao baixo custo dos serviços (comparados com São Paulo) são os responsáveis por se escutar tanto o idioma português nas ruas da cidade.

Minha primeira noite em Buenos Aires foi no albergue Donde Clodo, localizado no bairro Palermo, e que está em funcionamento há apenas um mês. Os donos colombianos optaram por construir um ambiente familiar e seguro ao invéz de um grande albergue cheio de atrações. Estava ali graças a indicação dos meus dois amigos ingleses que conheci na Colômbia, que voltei a ver na Bolívia e que estavam em Buenos Aires para sua última semana na América do Sul.

O primeiro ponto turístico que visitei não foram as famosas construções do centro e sim La Boca, um bairro popular de Buenos Aires onde está localizado o famoso estádio La Bombonera, do Boca Juniors. Meu objetivo ali era descobrir como conseguir ingressos para a partida contra o Colón que aconteceria Domingo.

Foi então que descobri que os ingressos só são vendidos aos sócios do clube Boca Junios que podem ou não revendê-los. Minhas alternativas eram voltar no dia da partida e arriscar a comprar de um cambista ou conseguir com algum sócio que não fosse ao jogo. Estava trabalhando na segunda opção com a ajuda de um contato do Couch Surfing que fiz antes de chegar à cidade.

La Boca por si só não tem nada de muito especial. Além do estádio, a região conhecida como Caminito também é famosa por ser bastante tradicional e, principalmente, por causa dos casais de tango que dançam nos bares e restaurantes do bairro.

Dali não voltaria para o Donde Clodo. Meu destino era a casa de um argentino do Couch Surfing chamado Marcos e que vive atualmente com um brasileiro de Curitiba. Já na sua casa, Marcos me emprestou sua câmera para que eu pudesse visitar a região central da cidade onde estão as principais construções do governo.

Na Praça de Maio, mês da independência argentina, está localizada uma estátua de San Martin, o general que libertou o país em 1810. É ali também que está a famosa Casa Rosada, sede do poder executivo e onde trabalha Cristina Khristner, atual presidente e esposa do ex-presidente Nestor Kistner. Abaixo um slideshow e uma foto panorâmica que tirei do centro da Praça de Maio.

Por ser próxima a sede do governo, a Plaza de Maio é palco de diversas manifestações durante o dia. Algumas delas pude acompanhar ao longo da semana: protesto de veteranos de guerra, greve bancária, marcha pela educação pública, revindicações dos movimentos estudantis. Porém, em nenhum momento houve confronto entre os manifestantes e a polícia.

Assim que terminei a seção de fotos na região central, fui conhecer um ponto turístico estranho, para não dizer macabro. O Cemitério da Recoleta parece um museu a céu aberto graças aos caprichos dos mausoléus onde estão enterrados personagens ilustres da história argentina. Dentre os túmulos que visitavam, estava o de Manuel Sarmiento, ex-presidente e responsável pela reforma educacional neste país, Remédios de Escalada, esposa e amiga de San Martin e, a grande atração do cemitério, Evita Perón.

Voltando à casa de Marcos arrumei minha mala para mudar de apartamento, pois havia combinado com outro argentino do Couch Surfing de passar a quinta-feira e o fim de semana na sua casa. Meu novo anfitrião era Theo, estudante de música e de sotaque estranho, característico de uma pessoa nascida no interior da Argentina.

O programa noturno de Theo e seus amigos na Quinta-Feira é geralmente o mesmo. Tomar cerveja no bar Post, localizado no bairro Palermo, e onde a pizza é grátis para quem estiver consumindo. O Post é muito frequentado por estudantes universitários graças ao ambiente alternativo, o rock’n roll e a comida gratuita. Recomendo aos que estiverem passando por Buenos Aires. (não encontrei o endereço na internet, mas é so perguntar na rua Uriarte).

Entre um e outro pedaço de pizza, tirei mais algumas dúvidas relacionadas a Argentina. Minha pergunta que mais gerou discussão foi sobre o sistema de educação universitário do país. Aqui, a Universidade Pública recebe a todos os estudantes formados no colégio que queiram ingressar. Não existe vestibular ou outro tipo de exame eliminatório.

Dia seguinte era o começo do tão esperado fim de semana em Buenos Aires. Para mim, um gostinho especial, pois seria o penúltimo da viagem. E a sexta-feira reuniu todas as atividades que poderiam ter sido destribuidas ao longo do fim de semana.

Primeiro fui encontrar uma argentina que havia me contactado no Couch Surfing. Por algumas horas estivemos tomando algumas cervejas e descobri que ela era lésbica e gostava tanto das cariocas como eu. Bom, acho que até mais :). Seu nome era Maria, uma garota muito simpática, que me comentou um fato curioso. Segundo ela, a porcentagem de mulheres argentinas que se consultam com terapeutas é a mais alta do mundo. Não é atoa que elas têm fama de serem tão complicadas.

Em seguida, fui correndo para uma partida de futebol que o Theo marcou para as 11:00 da noite. Como não queria perder a oportunidade de jogar contra argentinos, acabei topando a loucura de jogar tão tarde e abaixo dos 10 graus. Com apenas 10 segundos de partida, em um lance de um jogador semi-bêbado, dei uma “caneta” de letra em um argentino, quase que sem querer. O auge da minha carreira de “jogador de pelada”! Depois disso, foi só curtir o momento, tocar a bola pro lado e correr pouco porque a noite só estava começando.

No final, venceu o time com o maior número de brasileiros. A gloria! Dali fomos direto a casa se arrumar para sair. Primeiro fui para casa de Marcos e Caio, meus anfitriões nos primeiros dias na capital, tomar Fernet com Coca-Cola, um drink que é muito comum na Argentina.

O Fernet, na verdade, tem origem italiana e é composto por uma álcool de diversas raízes. Meia dúzia de copos depois, partimos para o “boliche” (palavra que na Argentina significa discoteca, boate, balada) chamado Mandarin, onde conseguimos entrada no VIP grátis graças aos contatos do Marcos. Resumo da história: chegamos a casa 8 da manhã, trançando as pernas. Abaixos fotos do culpado:

A ressaca do dia seguinte foi apareceu dentro da sede do governo argentino. Isso mesmo. Aos Sábados e Domingos, a Casa Rosada é aberta ao público e o tour guiado é grátis. Por 30 minutos, os turistas têm acesso aos principais salas do edifício construído no anos 1594.

O lugar mais esperado e importante é reservado para o final da visita e é onde os presidentes argentinos trabalham e se reúnem com outros chefes do governo. Abaixo, fotos que encontrei na internet do interior da Casa Rosada:

A noite de Sábado, que costuma ser a mais pesada, acabou sendo mais tranquila pelo que tinha acontecido na noite anterior. Para facilitar, decidimos sair no próprio bairro Palermo, lugar com muito movimento noturno, principalmente nos bares e discotecas. A dica que deixo para os que vão visitar Buenos Aires é a mesma de duas australianas que conheci em Córdoba: fiquem em um albergue (ou hotel) em Palermo. É a melhor opção para quem busca diversão e dali se chega facilmente a qualquer outro ponto da cidade via metrô ou ônibus.

Faltava apenas um grande evento para fechar com chave de ouro meus dias em Buenos Aires. Assistir a partida do Boca Juniors contra o Colón na Bombonera, Domingo, às 8:20 pm. Durante cinco dias, um amigo esteva tentando comprar meu ingresso com algum sócio, mas no último momento me confirmou que não havia conseguido. A única esperança era ir uma hora antes de começar a partida no perigoso bairro La Boca para comprar um ingresso três vezes mais caro e ainda correr o risco de me venderem um falsificado.

Decidi não arriscar e passar vontade vendo o jogo pela televisão. Pude, pelo menos, acompanhar de perto a torcida apaixonada do Boca assistindo a partida nos incontáveis bares da cidade que transmitiram a partida. A cada gol uma explosão de alegria dos mesmos torcedores que há três décadas torciam por Maradona.

Faltou o “grand finale” para completar meus seis intensos dias de Buenos Aires. Mesmo assim, me dei por satisfeito por comprovar que o que havia escutado da cidade era realmente verdade. Muita cultura, história, restaurantes de qualidade e noite incrível.

Dia seguinte acordei cedo para cruzar o Rio da Plata em barco e chegar ao oitavo e último país da viagem. No próximo post, você vai ler sobre minha viagem de carona pelo Uruguai e alguns imprevistos que aconteceram ao longo caminho.

Estava cada vez mais próximo de casa.

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Um abraço,
Eduardo

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